Para quem gosta de um bom drama, essa é uma ótima série. Assisti apenas os primeiros episódios, mas quis escrever sobre Drop Dead Dive.
No episódio piloto, temos uma aspirante a modelo, magra, loira e fútil. Que morre num acidente de carro. Quando Deb chega ao céu é constatado que ela é uma adulta zero/zero. Nunca fez uma boa ação, mas também nunca fez nenhuma maldade e por um erro ela volta à Terra no corpo de uma brilhante advogada, Jane. Jane era dessas mulheres que vivia no trabalho, sem tempo para amigos, romances, família, com problema de peso e baixa auto-estima.
O drama todo está armado, Deb terá que se acostumar com sua nova condição. Joelhos grossos, pés que não servem num Louboutin e uma cintura que nunca experimentou o caimento de um Valentino. E ainda ter que trabalhar com seu ex-namorado, Grayson, que não esconde o amor pela “falecida” e muito menos a dor por sua perda. Deb terá que aprender a não ser bem recebida nos lugares que antes frequentara como baladas, boutiques e bares. Não ser reconhecida pelos amigos. Terá que aprender a conciliar seu espírito pop com a vida solitária de Jane.
O interessante de tudo isso é que Deb adquire todo o conhecimento de Jane, agora, a estereotipada loira burra é esperta, inteligente e com um alto Q.I. Quero dizer, quem não quer essa facilidade na vida de hoje? Você dorme e acorda um bem sucedido advogado. Sem passar cinco anos numa faculdade ou ler livros jurídicos e assistir aulas de ética ou psicologia forense. Acho que tem muita gente querendo ser aquela brilhante e simpaticíssima advogada gordinha.
A globalização da economia e da cultura contribuiu para a ditadura da beleza introduzida pela indústria da moda e absorvida por diferentes classes sociais. Mas acredito que esse culto ao corpo não é prioridade na sociedade moderna. Conhecimento passou a ser tão importante quanto à aparência. A emancipação feminina, ao decorrer dos últimos séculos, trousse profundas modificações na estrutura social moderna. Conteúdo e grau de instrução passaram a ser requisitos para constituição de uma vida a dois. Perspectiva de futuro e não somente um belo corpo é fundamental para a escolha da pessoa certa.
Cada vez mais o valor social do trabalho ganha importância na sociedade moderna, o homem é medido pela sua capacidade de produção e não pelo que veste ou as qualidades físicas que possui. Um exemplo disso que antes da Revolução Industrial predominava na moda masculina o uso de punho branco nas camisas, transparecendo a idéia de limpo, pois era mais nobre não trabalhar, quem trabalhava era o empregado. Após a Revolução Industrial essa característica fashion se perde, pois a nobreza passa a ser vista como sanguessugas da sociedade, não merecendo, por isso, nenhum privilégio, pois quem não trabalha é preguiçoso.
Não estou querendo dizer que a sociedade contemporânea não se importa com a aparência, só quero fizer que não vivemos do culto absoluto ao belo como vários sociólogos afirmam. Digo, tão somente, que junto ao belo existem outros valores que passaram a ser tão importante quanto o belo. Valores esses capazes, inclusive, de modificar o conceito de belo do indivíduo. Afinal, bom gosto é lapidado e construído pelo meio que circunda o indivíduo. Na série, Drop Dead Diva, Deb deixou de ser uma mulher linda e desconhecida para ser uma requisitada advogada com um padrão de beleza diferente, nem por isso menos ou mais bonita.
Texto bobo, eu sei. Mas hoje quis falar as “Debs” que eu conheço. Estar bem consigo mesmo é importante. Mas vale lembrar que para ser um Deb, basta uma cirurgia, mas para ser uma Jane é preciso uma vida inteira de dedicação.