segunda-feira, 4 de abril de 2011

Alien

Parece que alienígenas andam inspirando os cantores e estão virando tendência. Depois do clipe de "Born This Way" de Lady Gaga, onde “criaturas” ganham um grande destaque, Katy Perry mostra seu conceito de alienígena muito mais sofisticado e surreal e menos estranho-mostro como o “alien” da Gaga.
Flora Sigismondi, diretora de "E.T.",  acertou na idéia futurista na qual Katy Perry aparenta um ser estranho e irreal, mas dotado de sensualidade e elegância enquanto flutua atrás de seu amor extraterrestre perdido no espaço.  A fashion designer Carol Beadle, quem trabalhou na criação da aparência sobrenatural na cantora, conta que se inspirou em águas-vivas e amebas para o figurino envolvente da estrela pop.


E ainda nessa concepção fashionista Viktor & Rolf marca estilo e elegância com o figurino mais encantador do vídeo. Mas não é de hoje que a assinatura da dupla holandesa se destaca com tanta autenticidade num clipe pop, no começo de 2010 você deve ter visto Lady Gaga como  presidiária em “Telephone” usando correntes e óculos feitos de cigarros e mostrando ao mundo que ela veio para ser assunto. Veja mais disso aqui.


E muito menos sedutora e envolvente, mas com muito para dizer Lady Gaga interpreta (ou é a própria) “Mother Moster” que inicia seu vídeo num parto alienígena para mostrar a todos que ela nasceu assim. E deixa transparecer a idéia de que moda não é apenas uma questão de interpretação, mas sim uma questão de liberdade, expressão e autenticidade muito além de algo meramente comercial e sim, puramente artístico.
“Born This Way” é dirigido por Nick Knight e o figurino assinado pelo diretor da marcar francesa Mugler, Nicola Formichetti. E ainda como se não bastasse a participação do brasileiro Evandro Soldati no videoclipe “Alejandro”, “Born This Way” possui a graciosa participação da brasileira Raquel Zimmermann que teve a oportunidade de ser um “little monster” e contracenar com Lady Gaga. 


Na semana de moda de Moscou, a grife David e Alexander colocou modelos com cabeças de extraterrestres na passarela nesta quinta, 31.



Já pensou se essa moda pega?


Rótulos

Eu queria falar da vitoria da Maria, queria falar de BBB. Mas tudo isso ficou velho antes mesmo que eu pudesse escrever o texto. Sendo assim, iria falar dessa tendência de fazer musica com um temática gay e ainda fazer uma comparação entre as alienígenas interpretadas por Lady Gaga (Born This Way) e Katy Perry (E.T.).  Mas até hoje, há 6 dias da final do BBB, eu escuto coisas do tipo “Você perdeu seu tempo com Big Brother Brasil?” “Vai ler um livro ao invés de assistir Big Brother”. Logo, é algo pertinente falar da “casa mais vigiada do Brasil”.
O Reality Show, transmitido pela Rede Globo, sofre inúmeras críticas. Acusado de ser um programa exibicionista, pois, pessoas deixam uma emissora lucrar, assombrosos milhões, enquanto  explora suas imagens de forma desrespeitosa enquanto lhes proporcionam 15 mim de fama. Nessa visão é absolutamente coerente a afirmação de exibicionista, desde que, é claro,  não nos esqueçamos de princípios como a livre iniciativa econômica e a liberdade (de participar do programa ou de desligar a TV). O inaceitável são as frases infundas e injustificadas, como por exemplo "programa de gente alienada sem cutura",  de quem não possui argumentos e tão pouco uma opinião sobre alguma coisa, que não busca demonstrar o porquê de tão inapropriado é o programa e apenas usam argumentos agressivos (se isso for argumento) que não explicam nada, apenas agridem.
Primeiramente, criticar programas populares é criticar principalmente às massas que os assistem. Julgar um programa que já está no ar à 11 anos é julgar o seu público, que supostamente não tem “cultura”. Mas, então eu pergunto: O que é cultura? Ter cultura é ler livro? É escutar música instrumental? Quem disse que não é possível gostar das duas coisas, ler e ver o BBB? Nessa idéia de globalização ao qual temos que sobreviver, o mundo acaba sendo dos ecléticos. E, não vejo a impossibilidade de assistir um programa de TV e ler um livro.
Numa coisa o Pedro Bial acertou, em seu discurso que anunciou o vencedor do BBB11, "hoje a televisão é a Àgora dos gregos". Pois, é ali que há a difusão de novas formas de pensar, de ver o mundo, de compreender as diferenças e o comportamento do homem moderno na sociedade contemporânea. E aqui nem vou entrar no papel social que o Big Brother exerce ao discutir assuntos como homossexualidade, transexualidade, machismo, feminismo e outras conversas.
É no mínimo intrigante a visão critica de quem se adere ao movimento “desligue a TV e abra um livro”. Pois admitir a “falta de cultura” de uns é admitir também, sua própria falta de visão democrática e política. Afinal “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei.” Não gostar do programa é uma coisa, outra é impor o seu gosto e decidir, de maneira absoluta, o que é bom e o que não é. Saber respeitar o gosto do próximo é o que difere um intelectual de um elitista. Big Brother não é um mau gosto. É gosto. Pertence a outra classe, a outro olhar, a outra forma de vida. Afirmar que BBB é coisa de gente sem cultura traspassa aquela “idéia autorizadora”, na triste concepção de que a valorização de algo vem de uma fonte (já aceita como intelectual) que autoriza você a gostar de algo ou não. E caso não goste, está fadado a ser um sem cultura para o resto de sua vida.
Nesse sentido, o mesmo “Vai Lacraia” tão imoral e indecente cantado por MC Serginho é considerado Cult na voz de Zeca Baleiro. Ou até mesmo, o tão vulgar, “Baba Baby” da Kelly Key ganha outros olhares na voz de Maria Gadú e assim outras inúmeras rotulagens. De alguém que diz “isso é Cult. Isso não”.
É absolutamente contraditório existir uma elite que prega a tolerância, o respeito, a igualdade de todos, mas que acaba por rotular o conceito de “culto”. E com isso criar uma subcategoria de homens. Quem mais prima pela postura civilizada e democrática do mundo fere seu próprio principio, a liberdade. A liberdade de gostar de qualquer coisa sem se preocupar com nenhuma rotulagem que o possa inferiorizar como homem. E coma já disse Elenina (doutora em linguística e ex-BBB), em seu Blog, “Rótulos são para geléias. E eu nem gosto de geléias. Isso eu sei.”