segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rótulos

Eu queria falar da vitoria da Maria, queria falar de BBB. Mas tudo isso ficou velho antes mesmo que eu pudesse escrever o texto. Sendo assim, iria falar dessa tendência de fazer musica com um temática gay e ainda fazer uma comparação entre as alienígenas interpretadas por Lady Gaga (Born This Way) e Katy Perry (E.T.).  Mas até hoje, há 6 dias da final do BBB, eu escuto coisas do tipo “Você perdeu seu tempo com Big Brother Brasil?” “Vai ler um livro ao invés de assistir Big Brother”. Logo, é algo pertinente falar da “casa mais vigiada do Brasil”.
O Reality Show, transmitido pela Rede Globo, sofre inúmeras críticas. Acusado de ser um programa exibicionista, pois, pessoas deixam uma emissora lucrar, assombrosos milhões, enquanto  explora suas imagens de forma desrespeitosa enquanto lhes proporcionam 15 mim de fama. Nessa visão é absolutamente coerente a afirmação de exibicionista, desde que, é claro,  não nos esqueçamos de princípios como a livre iniciativa econômica e a liberdade (de participar do programa ou de desligar a TV). O inaceitável são as frases infundas e injustificadas, como por exemplo "programa de gente alienada sem cutura",  de quem não possui argumentos e tão pouco uma opinião sobre alguma coisa, que não busca demonstrar o porquê de tão inapropriado é o programa e apenas usam argumentos agressivos (se isso for argumento) que não explicam nada, apenas agridem.
Primeiramente, criticar programas populares é criticar principalmente às massas que os assistem. Julgar um programa que já está no ar à 11 anos é julgar o seu público, que supostamente não tem “cultura”. Mas, então eu pergunto: O que é cultura? Ter cultura é ler livro? É escutar música instrumental? Quem disse que não é possível gostar das duas coisas, ler e ver o BBB? Nessa idéia de globalização ao qual temos que sobreviver, o mundo acaba sendo dos ecléticos. E, não vejo a impossibilidade de assistir um programa de TV e ler um livro.
Numa coisa o Pedro Bial acertou, em seu discurso que anunciou o vencedor do BBB11, "hoje a televisão é a Àgora dos gregos". Pois, é ali que há a difusão de novas formas de pensar, de ver o mundo, de compreender as diferenças e o comportamento do homem moderno na sociedade contemporânea. E aqui nem vou entrar no papel social que o Big Brother exerce ao discutir assuntos como homossexualidade, transexualidade, machismo, feminismo e outras conversas.
É no mínimo intrigante a visão critica de quem se adere ao movimento “desligue a TV e abra um livro”. Pois admitir a “falta de cultura” de uns é admitir também, sua própria falta de visão democrática e política. Afinal “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei.” Não gostar do programa é uma coisa, outra é impor o seu gosto e decidir, de maneira absoluta, o que é bom e o que não é. Saber respeitar o gosto do próximo é o que difere um intelectual de um elitista. Big Brother não é um mau gosto. É gosto. Pertence a outra classe, a outro olhar, a outra forma de vida. Afirmar que BBB é coisa de gente sem cultura traspassa aquela “idéia autorizadora”, na triste concepção de que a valorização de algo vem de uma fonte (já aceita como intelectual) que autoriza você a gostar de algo ou não. E caso não goste, está fadado a ser um sem cultura para o resto de sua vida.
Nesse sentido, o mesmo “Vai Lacraia” tão imoral e indecente cantado por MC Serginho é considerado Cult na voz de Zeca Baleiro. Ou até mesmo, o tão vulgar, “Baba Baby” da Kelly Key ganha outros olhares na voz de Maria Gadú e assim outras inúmeras rotulagens. De alguém que diz “isso é Cult. Isso não”.
É absolutamente contraditório existir uma elite que prega a tolerância, o respeito, a igualdade de todos, mas que acaba por rotular o conceito de “culto”. E com isso criar uma subcategoria de homens. Quem mais prima pela postura civilizada e democrática do mundo fere seu próprio principio, a liberdade. A liberdade de gostar de qualquer coisa sem se preocupar com nenhuma rotulagem que o possa inferiorizar como homem. E coma já disse Elenina (doutora em linguística e ex-BBB), em seu Blog, “Rótulos são para geléias. E eu nem gosto de geléias. Isso eu sei.”

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